Dos meios às mediações

Contextualização da obra

No seu primeiro livro ‘Comunicación masiva: Discurso y poder’, Barbero investigou "A manipulação do discurso que através dos meios de massa nos aponta a maneira que a ideologia nos impõe a lógica da dominação. Em ‘Dos meios às mediações’, Barbero adiciona a esse debate alguns fatores que ficaram de fora no conflito entre emissores e receptores; Esses últimos nem sempre são seduzidos sem resistências no sentido que as pessoas produzem fora do esquema dos meios de massa e dos processos social, principalmente, na América Latina onde a ruptura dos velhos modelos nos desvelam a verdade cultural nesses países. Na América Latina as massas ainda contém o povo, e a massificação da cultura se confunde com a emergência de uma política dessas massas e, desta forma, assume a mestiçagem cultural.

Barbero publicou os seguintes livros: Comunicación masiva: discurso y poder, Ciespal, Quito, 1978; Comunicación educativa y didáctica audiovisual, SENA, Cali, 1979; Introducción al análisis de contenido, Incisex, Madrid, 1981; De los medios a las mediaciones, G. Gili, Barcelona. 1987; Comunicación y culturas populares en Latinoamérica, G. Gili, México, 1987; Procesos de comunicación y matrices de cultura, G. Gili, México, 1989; Televisión y melodrama, Tercer Mundo, Bogotá, 1992;
Communication, Culture and Hegemony, Sage, London, 1993; Dinámicas urbanas de la cultura, en: Comunicación y espacios culturales en América Latina, Bogotá, Cátedra UNESCO de Comunicación Social, Pontificia Universidad Javeriana, 1994; Pre-textos: conversaciones sobre la comunicación y sus contextos, Univalle, Cali. 1995; Proyectar la comunicación (con A. Silva). Tercer Mundo, Bogotá, 1997; Mapas nocturnos, Siglo del Hombre Editores, Bogotá, 1998; Medios, Cultura y Sociedad (con Fabio López), CES/Univ. Nacional, Bogotá, 1998; Los ejercicios del ver. Hegemonía audiovisual y ficción televisiva (con Germán Rey), Gedisa, Barcelona, 2000.

Descrição do conteúdo da obra

Dos Meios às Mediações de Jesus Martín-Barbero aborda criticamente os autores da Escola de Frankfurt, Adorno e Horkheimer, ou melhor, faz uma análise "da massa como efeito dos processos de legitimação e lugar de manifestação da cultura em que a lógica da mercadoria se realiza.". Os frankfurtianos entendem a contracultura como uma implosão do social. Uma busca por novos movimentos políticos e por novos espaços Walter Benjamin esboçou algumas idéias para pensar o não-pensado pela Escola de Frankfurt: o popular na cultura como experiência e produção.

Barbero faz uma crítica ao aristocracismo cultural. Cita Baudelaire, que se interessou por artes menores (fotografia). Adorno, no entanto, considerava o jazz, o cinema o expoente máximo da degradação cultural. Barbero que o prazer de estar na multidão é algo intrínseco. Um novo modo de sentir. Assim, dos meios à mediação viabilizando a comunicação entre real e imaginário. A conjugação da produção das mídias e a sua utilização aplicada à família, à sociedade. Barbero marca a presença do popular na cultura. Jesús Martín-Barbero estabelece uma genealogia da cultura popular, que se elabora no transcurso do processo de recepção, reconhecimento e apropriação. Estas são as mediações — espaços, temporalidade e competências culturais— que temos que considerar no cotidiano atual.

Pontos positivos

Os meios de comunicações (radio, cinema e TV) configuram sistemas sociais de produção, circulação e consumo de mensagens midiáticas que incluem uma ampla parte da população nesses ambientes simbólicos; essa situação permitiu o desenvolvimento de estratégias, modos de vida, formatos e gêneros populistas. A estruturação de campos midiáticos audiovisuais no subcontinente Americano tornou possível a conjunção de organizações midiáticas especializadas (empresas, industrias, instituições, produtoras e organizações culturais) e culturas populares. Isso demonstra a transformação político-social que representou a incorporação ao mercado de consumo das classes populares, realizada pelo populismo latino-americano. Creio que a estruturação do pensamento de Barbero nos sugere a cultura popular como uma forma de resistência a hegemonia ao primeiro mundo. Barbeio traz o popular para participar da ‘cultura’.

Crítica da obra

Barbero enxerga o popular no relacionamento com os movimentos sociais, de gênero, raça etc... A sua concepção sobre o poder negociado continua fundamentando a necessidade de trabalhar nos espaços industriais, institucionais e burocráticos para transformar a partir de dentro essas estruturas. Um discurso oriundo do marxismo que sugere a mediação subserviente à classe social. Embora, a crítica de Martín Barbero atinge um grande parte da ‘esquerda’. Pois, explica a desagregação dos modelos socialistas europeus do século XX como resultado de uma profunda e sistemática incompreensão do caráter e das estruturas dos sistemas e processos de comunicação midiáticos. No entanto, a sua teoria está presa numa análise estruturalista.

Relevância ou não da obra no contexto contemporâneo

Para estudar a problemática midiática Barbero selecionou como objeto de pesquisa a telenovela; pensada como um lugar complexo onde é possível encontrar elementos culturais, políticos, sociais e tecnológicos importantes da realidade contemporânea. A dimensão midiática se constitui num tempo / espaço privilegiado de formação da hegemonia. A lógica e o interesse do capital se mesclam com a tecnologia, ou seja, de recursos informacionais, audiovisuais e outros para produzir mensagens e distribui- las para um público cada dia maior. Os percursos paradigmáticos de Jesús Martín Barbero, na área de comunicação, apresentam elementos interessantes para a construção de uma epistemologia histórica em comunicação, como também para a estruturação de procedimentos operacionais nos estudos de mídias.

Apresentação do autor

Nascido em Ávila, na Espana, em 1937. Jesús Martín-Barbero estudou em Madri, Lovaina e Paris. De 1975 a 2001 viveu na Colômbia, onde fundou e dirigiu o Departamento de Ciências da Comunicação da ‘Universidad del Valle, en Cali’. Consultor de diversos organismos internacionais e professor emérito, é um dos principais teóricos latino-americanos no campo da comunicação e da cultura. Atualmente, trabalha como professor na ‘Universidad de Guadalajara’, no México. Foi professor visitante das Universidades: Complutense de Madrid, Autónoma de Barcelona, Standford, Livre de Berlim, King's College de Londres, Porto Rico, Buenos Aires, São Paulo, Lima, etc. Foi presidente da ALAIC (Asociación Latinoamericana de Investigadores de la Comunicación), membro do Comitê consultivo de la FELAFACS (Federación Latinoamericana de Facultades de Comunicación Social). É membro do Comitê científico da Infoamérica.

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