A rede
A rede propicia uma organização emergente que não apenas aproxima as pessoas - aproxima as pessoas de um modo de produção colaborativo. Ela cria um novo lugar de convivência. A Internet é um mundo diferente daquele no qual crescemos.
Tempo e espaço não têm o mesmo significado que aprendemos nas experiências comuns ou mesmo com os demais meios de comunicação. O meio físico caminha para a virtualidade. E a virtualidade caminha para a realidade. O paradoxo, assim, se transforma em paradigma. O paradigma é o humano, idéias, sentimentos, ações. A luta pela liberdade no contemporâneo se dá nesse contexto.
Internet não depende apenas de computadores, mas necessita da tecnologia para estabelecer o status quo virtual. Sem meios de acesso ficaremos marginais à sociedade virtual. Democracias interconectadas, para existir, precisam de acesso irrestrito para garantir-se enquanto tais. A tendência é que haja convergência de tecnologias, no sentido de operar a passagem entre a tecnologia anterior para a digitalidade da rede. Telefones devem conversar com a rede. Enviando e recebendo informações. Televisões devem fazer o mesmo. Os portáveis, incluindo celulares e PDAs, deverão estar conectados em rede, propiciando aos usuários uma conexão ao mundo virtual, onde possa ser possível aceder às informações e blogar suas análises, retroalimentando a rede.
Atualmente utilizamos uma tecnologia que remonta há mais de 30 anos. Por que propor avanços? Simples: avanços significam barateamento e massificação da tecnologia. Assim, a grande sacada está em dar vazão a essa conectividade. Buscar o potencial para incrementar o inter-relacionamento dos mercados, ou bazares, para usar o termo de Eric Raymond, enquanto mediações entre pessoas, produção, produtos e signos.
Então, é impossível desvincular cibercultura de inteligência coletiva e da catalisação dessas inteligências pela internet. Por trás de cada computador há um ser humano buscando uma nova forma de aprender, produzir, se expressar, ensinar, aproveitar e prosperar. E humanos são também sonhos, sentimentos e contradições, não apenas razão, cérebro e máquina. Já disseram que dentro de nós há multidões. Também já disseram que somos símbolos ou signos. Hoje podemos dizer que somos links. Links que se conectam com outros links.


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