A MetaReciclagem

Metareciclagem

MetaReciclagem é principalmente uma idéia. Uma idéia sobre a reapropriação de tecnologia objetivando a transformação social. Esse conceito abrange diversas formas de ação: da captação de computadores usados e montagem de laboratórios reciclados usando software livre, até a criação de ambientes de circulação da informação através da internet, passando por todo tipo de experimentação e apoio estratégico e operacional a projetos socialmente engajados. mais infos: http://www.metareciclagem.org

A Metareciclagem

o paradoxo se torna paradigma [Chris Locke]

Desconstrução da tecnologia -

Ruptura da metafísica padrão

Desconteinerização: espaço, tempo, ser e conhecimento... A ruptura dos containers do tempo e espaço, ou a descontainerização da metafísica padrão nos leva a entender a cultura mestiça como uma outra coisa. Um ambiente diferente. Vivemos numa intersecção. Não entre a cultura de massas e a cultura de rede, mas numa interação de idéias e pensamentos catalisados pelas informações que nos encostam, e em tempo real nos modificam.

Contracultura

A revolução não televisionada


A revolução digital é um processo sutil e vagaroso que vem tomando corpo, ensinando a nova geração a compartilhar conhecimento. Uma nova ordem está sendo construída. Uma promessa para uma humanidade capaz de reviver o amor..

Terrorismo poético

A arte Poético-Terrorista também pode ser criada para locais públicos: poemas rabiscados em banheiros de tribunais, pequenos fetiches abandonados em parques e restaurantes, arte xerocada distribuída sob limpadores de pára-brisa de carros estacionados, Slogans em Letras Grandes grudados em muros de playgrounds, cartas anônimas enviadas a destinatários aleatórios ou escolhidos (fraude postal), transmissões piratas de rádio, cimento fresco...

A reação da audiência ou o choque estético produzidopelo Terrorismo Poético deve ser pelo menos tão forte quanto a emoção do terror: nojo poderoso, excitação sexual, admiração supersticiosa, inspiração intuitiva repentina, angústia dadaísta - não importa se o Terrorismo Poético é direcionado a uma ou a várias pessoas, não importa se é "assinado" ou anônimo;

Cultura hacker

A questão principal, então, passou a ser como seria os hackers sob uma perspectiva mais abrangente. O que significa o desafio lançado por eles? Sob essa ótica, a palavra hacker é utilizada para descrever uma pessoa com determinada obsessão pelo trabalho, relação essa que esta ficando cada vez mais aparente na Era da Informação. Desse ponto de vista a ética hacker é uma nova ética do trabalho que desafia o comportamento em relação ao trabalho, que tem predominado por tanto tempo, a ética protestante do trabalho conforme explica Max Weber em seu clássico A Ética Protestante e o Espírito da Capitalismo.

(...) Contudo, a ética dos hackers é, acima de tudo, um desafio para nossa sociedade e para a nossa existência. além da ética do trabalho, o segundo aspecto deste desafio é a ética do dinheiro - um aspecto definido por Weber como outro componente da ética protestante. É certo que o 'compartilhamento de informações' mencionado na definição de ética dos hackers não é a forma predominante pela qual se ganha dinheiro atualmente. Ao contrário, um indivíduo ganha dinheiro na maior parte dos casos quando detém a informação
-- Pekka Himanen, "A ética dos Hackers", Campos - tradução revisitada!

Linkania

A cibercultura estuda o impacto das tecnologias digitais na sociedade, ou mais especificamente, o impacto da migração de uma sociedade de massa para uma sociedade em rede. A Linkania é um conceito que tenta explicar a caordem do sistema e na inter-relação das pessoas ou dos links. As multidões vêm a contrapor o poder do império globalizado. Um processo de resistência emerge desta linkania das multidões e aponta para um novo paradigma nas relações da microfísica do poder.

Plano de imanência - Tanto as produções digitais como a cultura digital fazem parte do plano de imanência cuja proliferação as precipitam numa potencialização sem precedentes. Há um processo constante de heterogenização que se dá principalmente por replicações livres e por procedimentos de alteridade através de devires descodificados. Disto advém o principal acontecimento da cultura da imanência que é o anarqui-culturalismo, ele é o jogo livre entre todas as performances que ocorrem no mundo da imanência, libertando-se das instituições transcendentes baseadas na autoridade e na unicidade provocando por todos os lados um descontrole que não se pode capturar.

Ricardo Barreto e Paula Perissinotto

Linkania é a expressão de cidadania na internet. Tem uma ligação direta com as ideias de Cluetrain. O link é a forma de ligação social, relacionamento social, da nossa "extensão tecno-natural da mente e corpo" na internet.

Do artigo Linkania e o Religare:

"(...) Então linkania é isso. É a cidadania sem cidades. É desterritorializado. A ação se dá localmente, mas a conexão é global. É o link do amigo, do vizinho. É a dica. É o negócio entre duas empresas de 2 continentes diferentes. É a ajuda que teu primo te dá desde Madri por email. É a discussão que circula na lista pra visitar tal exposição, e o link pra exposição, que imprimem e colocam no mural da creche. Tudo isso é link. É a matéria que um blogueiro comenta e que te faz pensar. É a descoberta valiosa do desempregado que vai a um infocentro e se cadastra em um programa de governo que lhe dará um emprego. E foi o vizinho que disse. Deu a dica, o link. E aí, pouco a pouco, vamos descobrindo quais são nossos direitos, porque a informação é pública. E vamos percebendo quais são nossos deveres, porque quem está em volta sugere e a gente concorda. E é assim mesmo, meio caótico, desestruturado. De acordo com o interesse de cada um e na disponibilidade que o sujeito tem em linkar e ser linkado. Em receber e repassar informação. Os herméticos irão perdendo terreno, ou se linkarão a outros herméticos e então tudo bem. Os velhos irão perdendo o terreno. Ou se linkarão com outros velhos, só por prazer. Tudo isso está fluindo e para que mude o paradigma falta pouco. É uma revolução silenciosa e divertida. E é sub-corporativa, deliciosamente caótica, enredada, sináptica, não linear, não metódica. (...)"

Multidão hiperconectada - A multidão hiperconectada faz parte desta contra revolução. Ou seja, os inimigos não são apenas os terroristas. São aqueles que negam a sociedade idealizada pela máquina do poder soberano.

Colaboração

Colaboração é a palavra do século XXI. Linus Torvalds causou um alvoroço enorme ao liberar o código numa lista de debates. ‘Release early and release often’ (libere cedo e libere sempre) passou a redesenhar um modelo de produção. Colaboração como capital social. Colaboração para fazer qualquer coisa que o desejo provoque. Colaboração como condição de sobrevivência.

sociedade da informação, baseada em relacionamentos de rede e catalisada por computadores, abre espaços para uma nova forma de trabalho, que é imaterial. Surge, assim, uma comunidade de programadores que comunga uma ética e uma cultura próprias baseadas na colaboração, no compartilhamento do conhecimento e na ausência de hierarquias. Essa comunidade clama por liberdade e, por meio das suas iniciativas de produção de conhecimento em rede, concebeu-se o movimento do software livre.

sociedade da colaboração? Estamos falando de tecnologia da informação. No entanto, percebemos que a cada dia essas idéias penetram no modelo de organização da sociedade. Temos que prestar atenção em alguns indicadores quase imperceptíveis para pensar numa sociedade diferente. Onde a produção do conhecimento corra livre. Software livre é apenas a ponta do iceberg do paradigma hacker. O conhecimento quer ser livre.

TAZ

As idéias de Hakim Bey se espalharam no Brasil principalmente por meio da internet, principalmente em comunidades independentes. As revoltas cotidianas e de duração relativa faz muita gente pensar que TAZ (Temporary Autonomous Zone) tenha a ver com as ações em rede. (...). A organização em rede, no entanto, é um agente facilitador. A internet é importante como uma ferramenta para criar TAZ . Mas não só: permite circular informações clandestinas, desenvolver a pirataria e ter acesso a bens proibidos via hackers . Além de possibilitar a existência de algumas estruturas não hierarquizadas de produção e divulgação do conhecimento.

TAZ é como um levante que não se engaja diretamente com o Estado, uma operação de guerrilha que libera uma área (de terra, de tempo, da imaginação) e dissolve-se para recriar em qualquer outro lugar antes que o Estado possa interferir.

A cultura Hacker existe nas zonas autônomas temporárias

Operação Pirata

Um projeto colaborativo se faz com esforço coletivo. Uma operação voluntária. Não é possível estabelecer vínculos entre essa ação caótica com os métodos de gestão tradicional. Toda vez que tentamos administrar caímos na armadilha do velho mundo. Uma administração voltada para o negócio. E não para os projetos.

Desta forma, penso num navio como uma célula motivada para alcançar um objetivo. Estamos começando a viver numa sociedade em rede. O terror, os partidos políticos e a pirataria sempre se valeram melhor da rede do que a sociedade concebida sob a égide da cultura de massa. E estamos começando a perceber que para viver em rede temos que perceber seus meandros.

Projetos independentes e colaborativos como o MetaReciclagem só podem se desenvolver se pensarmos de forma pirata. Células orientadas a projetos. Autonomia de gestão. Muita informação fluindo entre as partes e, principalmente, a convicção de que cada célula representa o todo. E assim termos a certeza da construção de um projeto comum e rizomático. Cada membro do grupo necessita contribuir como base para os outros.

Richard Barbrook diz que no fim do século 20 o anarcocomunismo não está mais confinado entre em os intelectuais de vanguarda. O que antes fôra revolucionário agora é banal. Ele diz que:

as pessoas participam dessa hi-tech gift economy, ou seja, uma economia na qual os bens estão disponíveis tão abundantemente que fluem livremente. Uma economia que, de certa forma, rege a prática do conhecimento livre. Para muitas pessoas a ‘gift economy’ é simplesmente o melhor método de colaboração no espaço cibernético. Nessa economia mista da Rede, o anarcocomunismo se tornou uma realidade do cotidiano.” [Barbrook,1998]

Resistência e descentralização

A resistência digital, por outro lado, não necessariamente se opõe ao inimigo comum. Ou seja, o inimigo que se forma pela contradição do sistema capitalista. É possível recriar a existência através do diálogo, da apropriação e ocupação de espaços vazios de poder. O espaço informacional pela sua própria característica pós geográfica permite a formação de comunidades virtuais interconectadas. Estas comunidades são ocupadas pelas pessoas que transitam aleatoriamente no ciberespaço.

Mas, a liberdade também é uma forma de nomadismo. A liberdade também é nômade. Aliás, Deleuze define o nomadismo como um modelo de resistência ao poder. A máquina de guerra é uma forma de dominação, mas também é a forma que as multidões se auto organizam para a ação. A revolução digital é possível quando a multidão enfrenta os atores imperiais numa intervenção direta na microfísica do poder.

Essa intervenção se dá pelo diálogo que se vale da troca e a reapropriação de idéias como agente de transformação. Como uma máquina de guerra conquistam seu território, apropriando- se da tecnologia e ocupando os espaços informacionais. As multidões 'organizam o caos' das redes hiperconectadas. Essa ação se torna maquínica quando engajadas no processo de agenciamento coletivo. No plano da imanência essa multidão é a única alternativa contra o poder instalado.

Apropriação, replicação e espóros

Ou seja, MetaReciclagem é uma metodologia, um nome que algumas pessoas usam para definir e identificar uma maneira de lidar com a tecnologia, e que tem por objetivo a reapropriação tecnológica para a transformação social. MetaReciclagem, estruturalmente, aproxima-se mais de um movimento que surgiu de baixo para cima e que permanece aberto a quem quiser participar. É por isso que a MetaReciclagem não tem sedes, mas [[Esporos|esporos]]: pessoas fazem MetaReciclagem em um lugar. Outras pessoas ficam sabendo, decidem fazer MetaReciclagem em outro lugar e saem fazendo. E não precisam passar por um processo longo de aprovação, basta conversar com todo mundo na lista e pronto.

Agenciamento - A tecnologia catalisa a inteligência das pessoas. A revolução das tecnologias da informação atua remodelando as bases materiais da sociedade e induzindo a emergência de agenciamentos colaborativos como base de sustentação da sociedade. Não podemos atribuir essas mudanças apenas à tecnologia. A internet torna possível o florescimento de novos movimentos sociais e culturais em rede. Possibilita a organização da sociedade civil em novas formas de gestão e o retorno às redes humanas depois de anos de domínio das redes de máquinas e da burocracia. No limite da ruptura dos paradigmas, a colaboração aparece como um potencializador das energias produtivas. A sociedade está se tornando mais aberta e de uma forma ampla, mais colaborativa.

A MetaReciclagem

Conceito de produção - pressupõe a colaboração como agente aglutinante do arcabouço cultural das pessoas e, basicamente, pressupõe acesso à informação, circulação desta informação e produção local de conhecimento. Como alcançar? Esta pergunta é mais fácil responder. Temos estudado desde o Projeto Metáfora alguns modelos de colaboração descentralizada. Esses modelos funcionam muito bem nas comunidades independentes. O desenvolvimento do Linux, do Apache, do Xoops e de outros muitos softwares livres são bons exemplos. A experiência do projeto Metáfora, e dos seus filhotes: MetaOng, MetaReciclagemi, LigaNóis e CyberSocial e, agora, pontos de cultura são casos que identificam o processo como vivo e operante.

Trabalho imaterial é "trabalho abstrato, intelectual, ou semiótico".

Negri e Lazzarato fundamentam-no em pesquisas empíricas (sobre transformações profissionais na grande Paris e novas modalidades de funcionamento, tecnologias da informação e da comunicação) e na recuperação das antecipações que Marx, nos Grundrisse, fez sobre socialização do trabalho e intelectualidade de massa. Estabelecem um paralelo entre a origem da noção de trabalho imaterial e o movimento operaista italiano (de cunho neomarxista) da década de 1970. Emblema do taylorismo, o operário-massa, massificado pela serialização industrial e pelo nivelamento amorfo de suas qualidades, vê-se substituído pelo operário-social, muito mais autônomo e valorizado em sua subjetividade crítica.

Subjetividade revolucionária - Como a experiência zapatista, a do MST e tantas outras, funda uma nova subjetividade revolucionária. Nova prática de transformação.

A internet é uma metáfora daquilo que entendemos como uma sociedade em rede hiperconectada. Ela não existe per si. Existem muitas internets. Por exemplo, os bancos a utilizam para interação com clientes; as rádios reverberam o jabá online; a uol, aol, terra disponibilizam o último suspiro da mídia de massa; os blogs nos mostram a diversidade das vozes, etc. Grande parte desses sistemas atua na manutenção das forças e perpetuação do poder do capital globalizado. Ou seja, aquilo que chamamos 'mainstream', operado dentro da lógica do capitalismo imperial. No entanto, há uma pequena porção da internet que se descola dessa lógica, constituindo um ambiente de compartilhamento de informações e catalisação do conhecimento. Nesse sentido, percebemos que uma poderosa conversação global começou. Através da Internet, pessoas estão descobrindo e inventando novas maneiras de compartilhar rapidamente conhecimento relevante. Como um resultado direto, mercados estão ficando mais espertos

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