Heidegger

Não se pode pensar que haja uma espécie de imersão na verdade, o que seria uma metáfora extremamente infeliz, na medida que a verdade se produz descolada da realidade. Não há uma identidade entre verdade e realidade. Portanto, as expressões velamento-desvelamento são elementos que não querem apontar simplesmente uma descrição da realidade. Elas apontam para aquilo que se desliga ou se descobre no processo de pensar as condições de possibilidade de conhecer a realidade e que significa uma atividade conceitual empenhada na produção de proposições, descrevendo condições de conhecimento, condições de saber. Não se trata, portanto, de tentativa de simular uma espécie de posse de um enigma, de um segredo ou de um mistério que seja de propriedade de um sujeito e que o levaria a uma afirmação autística de que eu tenho a verdade e todos os elementos a ela referidos. Se o senhor não tem a verdade, ou aceita a minha ou fica sem ela. Tal atitude despreza as razões do outro e, no fundo, não dá razões para o que o autor mesmo afirma.
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“Seminário Sobre a Verdade” – Lições preliminares sobre o parágrafo 44 de Zein und Zeit, Ernildo Stein, Ed. Vozes

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