Contextura
Interatividade significa a capacidade de interagir com pessoas. A Internet é um meio fantástico que permite aos indivíduos a troca de palavras, de idéias e deconhecimentos. Apesar da complexidade cibernética da rede, ela não funcionaria sem a participação de pessoas. Esta é a idéia generalizada no conceito de que os mercados são conversações. Isto é muito mais realista do que apenas dizer que os mercados conversam. Os mercados são conversações. Transmitem metaforicamente a interatividade das conexões.
A mídia de massa sempre esteve calcada num ambiente reativo. Um monólogo entre os detentores dos meios de comunicação com seus contrapartes. Este pensamento doutrinado por uma ética protestante permitiu o crescimento do capitalismo selvagem. Em nome do poder divino a humanidade se aglutinou contra o próprio interesse do ser humano. Isto explica tanta pobreza, miséria e violência. Garantidos por uma falsa moral da propaganda de massa.
Não posso afirmar que a interatividade da rede vai fazer deste mundo um lugar melhor. Mas estamos percebendo que existe muito mais do que apenas palavras. Ruptura de paradigmas, revolução dos bits e conhecimento livre explicam parte do que a conversação pode trazer para os seus mercados. Podemos predizer o medo nas mentes dos conservadores. Eles são totalmente reticentes as mudanças que estão acontecendo.
O medo é uma atitude humana. Um comportamento que notamos naquelas pessoas perdidas. Longe das tendências, mas perto do poder. Ou nem tão perto, mas passivos às vantagens que supostamente teriam se tudo continuasse da mesma maneira. Essas pessoas, essas empresas estão tremendo atrás do firewall corporativo, tentando entender o que está acontecendo. E qualquer um, com discernimento, encontrará as respostas palpitando nos mercados.
As pessoas interconectadas estão conversando. Mostrando que existe um dialogo muito mais poderoso do que o velho monólogo reativo. Nas listas de debates existem conversas, aliás este é exatamente o sentido do canal. Sem conversação não existiriam debates... pessoas não estariam desenvolvendo projetos, parcerias e vozes. Os sites, antes estáticos, ganharam um dinamismo inédito através dos blogs. A Internet mais parece um bazar oriental do que o modelo "padrão" que as empresas sempre impuseram. Acredito que essa é uma das razões que fez do blog uma ferramenta tão popular. Blogs são canais de interatividade onde podemos contar estórias, dar opiniões ou qualquer outra forma de conversação. E principalmente, estabelecendo uma relação de anonimato, onde apresentamos, nas nossas vitrines virtuais, o que estamos com vontade de mostrar. Não interessa o realismo onipotente imposto pela mídia careta. Vale mais a criatividade intrínseca da verdade de cada indivíduo.
É lógico que os críticos sempre tentarão coibir esta expressão da humanidade. Encontrando exemplos que desmereçam todo o movimento pela liberdade. Não é a toa que a imprensa começou utilizar a expressão hacker para denominar bandido cibernético. Todas as manifestações de repúdio, provavelmente, serão esquecidas no tempo. Ficam na história apenas os homens que revolucionam os paradigmas da sua época. Estamos vivendo no meio de uma onda avassaladora. Mutante e transformista. E altamente ideológica. Não dá para negar.
Estas conversações vêm de corações apaixonados. Estamos vivendo uma época onde muita gente se entrega ao trabalho por amor, e não mais pela simples ganância pelo dinheiro. Cada vez mais estamos questionando que preferiríamos ter uma vida melhor, conviver com nossos filhos e fugir da loucura do dia-a-dia infernal. Mas temos que mudar além do discurso. Perceber e apoiar as mudanças na nossa sociedade, deixando o nosso egoísmo de lado, e assumindo uma função de agente transformador. Assim, um mundo melhor nos espera...
versão original: Contextura. NovaE - www.novae.inf.br, São Paulo, 05 jul. 2001


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