Cena 1
musica ao fundo Rock_the_casbah. mp3 - torrents
O sol está baixando no horizonte. Dia, quase noite. É no lusco-fusco que os piratas navegam em busca do ouro. Moedas, comida, pilhagem em geral. Uma sociedade que se contrapõe ao império mercantilista. Uma forma de sobrevivência que denuncia as injustiças e contradições do sistema imperial. Ou, como sugere Mano Brown, são comerciantes. Não é possível fazer um julgamento daquilo que emerge de uma dessas contradições. Hollywood só existe como tal porque os 'piratas' da indústria cinematográfica buscaram se desenvolver num enclave longe da garra dos cobradores de patentes de Thomas Edison.
Uma viagem que o tempo não curou. Hoje, Hollywood esqueceu seu passado rebelde. Hollywood é sistema. Uma máquina de arrecadação. Que pilha da consciência à última flor da aurora. Agora, os outros são piratas. Que tiram dos ricos e, que distribuem entre os piratas da vida, que cercados pelo oceano do conhecimento, lançam tiros de festim contra os alvos imóveis do poder imperial.
Piratas eram vistos como rebeldes, espíritos livres, e muitas vezes como assassinos à sangue frio. Cabe dizer que a vida num navio pirata era, com certeza, muito mais democrática do que na Marinha da época -- sem contar navios mercantes.
Piratas, hoje, são vândalos cibernéticos. Sabe aquele garotinho de de 9 anos, que gosta de ouvir músicas do High School Music, da Disney (empresa que tem na sua origem a apropriação dos contos dos irmãos Grimm)?. Esse garotinho comete um crime quando baixa uma música em mp3 pelo kazaa, emule, torrents ou qualquer outra ponta da rede. No entanto, esse ato pode ser chamado de compartilhamento.


Cena 1
É interessante pensar na pirataria como compartilhamento e nas grandes empresas como aqueles que realmente pilham: pilham nossas almas, nossas consciências, nossas vidas dedicadas, nossas idéias e ideais. Isso me é muito familiar mesmo.
É mais ou menos como Hamlet, que para o senso comum era um louco em meio aos sãos quando, por outro ponto de vista, poderia muito bem ser visto como aquele que adquiriu sanidade em meio aos loucos e corrompidos pela sociedade.
O que mais me intrigou nesse post foi olhar para o ato de fazer donwload não como pirataria pura e simples, mas como um ato de compartilhamento. Essa é uma verdade e uma idéia bastante provocadora, pois provoca a voz, provoca pensar, provoca desejar compreender o mecanismo da troca em rede.
Para mim, Hamlet ganhou sanidade ao se desprender da doença social que o cercava... Assim como os Piratas eram (ou poderia dizer que são) símbolos de liberdade de se expressar, de estar, de ser.
Cena 1
O mais legal é ver o "fenômeno" do Radiohead, que disponibiliza seu CD para download sob preço determinado pelo próprio comprador - licença para escolher o que? O gratuito, certo? Nããão.
Boa parte dos fãs que baixaram as faixas pagaram - e preços razoáveis - pelas músicas, por "peso na consciência", constrangimento. "Pô, coitados dos caras, puta músicos legais que se dedicaram até a colocar o CD pra download na internet, mesmo sabendo que o pessoal vai montar e baixar de graça..."
Mas alguém aí pensa isso na hora de baixar um torrent de um CD ultracaro de uma banda que você adora? Ou de um filme que você quer muito ver Eu não. Vou sem dó nem piedade.
O ser humano é esquisito.
Cena 1
Jornalista que é jornalista dá errata: http://info.abril.com.br/aberto/infonews/112007/06112007-18.shl
(Shame on me)
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