blogs e mídia de massa
Recebi pelo twitter do interney um link para o artigo do Alex Primo - micromídia digital e encadeamento midiático. Abri o pdf e comecei a ler. Um susto!!!!
Em primeiro lugar a afirmação de que os blogs não se opõe a mídia de massa é totalmente ingênua e equivocada. Pois, a internet se opõe a mídia de massa. Blogs populares são apenas populares. Atingem comunidades. Não a massa. Creio que faltou referências básicas para o autor explicar os micromercados. Locke faz isso muito bem em Gonzo Marketing. De qualquer forma, micromercados, micromídias ou o escumbau são apenas traços da aldeia global. Comunicação em rede pressupõe descentralização.
Bem, como não bastasse essa afirmação infeliz, encontrei no final do texto a frase: a própria blogosfera pode agir como retroalimentação das estruturas hegemônicas de poder... uhmmmm, eu penso o contrário. A blogosfera é a exposição em tempo real daquilo que Marx chamou de contradição do capitalismo. Ou, para ser um pouco mais preciso, blog é multidão. Uma multidão hiperconectada>


blogs e mídia de massa
hdhd,
Acho a sua crítica a respeito do texto em questão do Alex Primo totalmente procedente. Acompanho o trabalho de Primo desde o seu livro em 2007 e o que mais me assustou também, porém em ambos os trabalhos, foi sempre a preocupaçao desse pesquisador em estabelecer categorias para construir uma análise do que está acontecendo na web sejam blogs ou atitudes interpessoais mediadas. Trata-se de uma iniciativa de traduzir para linguagem científica algo do qual não se tem tanto controle assim, empobrecendo o objeto de estudo, adequando-o a um formato que, estabelecido como certo, nem imaginamos poder contê-lo. Ao tratar da web, trata-se igualmente de milhões de vozes, como vc mesmo disse, de uma multidão. Seria de bom senso deixar espaço para o desvio, o descontrole e o contágio da opinião, seja ela qual for.
blogs e mídia de massa
Hernani e Cacau, muito obrigado pelos comentários. Vejo agora que a introdução não foi suficientemente clara. Realmente precisarei aperfeiçoá-la para a publicação futura. Vejam, é óbvio que não estou dizendo que blogs são mídia de massa. Em todo o texto busco discutir quando eles funcionam como mídia de nicho e quando funcionam como micromídia digital. Nunca como mídia de massa. E, claro, conheço bem o trabalho do Negri sobre multidão.
Cacau, se acompanhas meu trabalho, sabes o quanto defendo o webjornalismo participativo e a escrita coletiva (wikipédia, blogs, co-link, etc.). O que pretendi no artigo foi demonstrar que não podemos permanecer no pressuposto que a blogosfera é a redenção, que ela nos salvará das mãos da grande mídia. Como busquei ilustrar no trabalho, os blogs das celebridades da Globo (Bloglogs), por exemplo, estão longe de ser um exemplo de mídia radical, de ativismo, de uma forma de resistência. Pelo contrário, eles dão suporte adicional à indústria cultural.
Ingênuo seria pensar que blogs servem apenas para uma finalidade e que só são escritos por pessoas de bem, voltados para a libertação. Isto sim seria uma visão ingênua.
Durante o trabalho também defendi a inserção política dos blogs, no debate dos temas difundidos pelas grandes corporações midiáticas. Talvez uma segunda leitura possa deixar isso tudo mais claro.
E viva os blogs! Assim podemos aqui debater estas idéias.
Debater idéias é
Debater idéias é exatamente o que procuro fazer a anos. Creio que o debate que acontece na blogosfera brasileira foi ignorado no teu trabalho. Digo isso porque quando vc coloca o interneyblogs como referência vc está equivocado. Pois, interney blogs está mais para plataforma (blogger) do que pra blogosfera. Vc faz uma pesquisa sobre aquilo que não é.
Não acho que blogs são escritos por pessoas do bem. Blogs emergem de um movimento (Canetti explica bem isso em Massa e o Poder). Experiências como Metá:Fora e Metareciclagem explicam melhor a blogosfera do que o webjornalismo.
Aliás, o conceito de colaboração passa longe daquilo que se chama jornalismo colaborativo. Talvez seja mais conveniente chamar de jornalismo em rede.
Bem, a inserção dos blogs nas corporações midiáticas se dá ao avesso. De cima para baixo. Blogs corporativos são a simulação de uma experiência da voz.
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Hernani Dimantas
blogs e mídia de massa
Hernani, existem aí algumas confusões. Da mesma forma que em nenhum lugar do artigo eu digo que blogs são mídia de massa (isso seria uma barbaridade), tampouco digo que o Interney Blogs é referencial. Trata-se de um artigo sobre esse portal. E por que não? Se estou discutindo a profissionalização de alguns blogueiros, por que não estudar o interney? Você pode não gostar, mas foi uma escolha. E, se leu de fato o artigo, observou que alerto que os dados não podem ser generalizados para todo e qualquer blog.
E se você observar meus artigos anteriores, verá que já publiquei vários outros artigos sobre as conversações em blogs, focando outro condomínio de blogs, o Insanus.
Você disse: "Pois, interney blogs está mais para plataforma (blogger) do que pra blogosfera." Veja, blogger é um sistema infomático. Interney é um portal, ou como alguns chamam, um "condomínio" de blogs. Logo, não pode ser comparado com o blogger. São coisas diferentes e, portanto, incomparáveis.
Vários são os blogs que fazem parte do Interney. Por que não se poderia estudá-los? Por que um estudo sobre esse grupo estaria desautorizado? E esse conjunto de blogs estaria fora da blogosfera?
Sim, os projetos Metá:Fora e Metareciclagem são muito interessantes. Mas por que eles seriam a melhor explicação da blogosfera? Eles são apenas alguns exemplares de alguns tipos de blogs. E existem vários. Dizer que um tipo é melhor que outro é adotar uma visão essencialista. Contudo, não podemos estudar a blogosfera como gostaríamos que ela fosse, mas como ela se apresenta em sua complexidade.
Ei, colaboração não é sempre um processo consensual, samaritano. Isso seria outra visão essencialista.
Finalmente, blogs corporativos também fazem parte da blogosfera. São diferentes, mas são blogs. E não existe conversações nesses espaços? Toda empresa é nociva, e todos envolvidos são múmias?
Amigo, as visões essencialistas não permitem o avanço do conhecimento. É preciso deixar os fenômenos se mostrarem. De outra forma, ficamos nas mesmas certezas de sempre.
Bem, a tua analise da
Bem, a tua analise da blogosfera parte de um ponto de vista equivocado. Eu não fiz uma analogia tola ao comparar o interney blogs com o blogger. Pois, blogger (um sistema informático? wordpress o que é mesmo?) é um condominio. Maior, menos focado, mas um condomínio. Vc categoriza blogosfera pelo produto, o blog. Pois, essa é a miopia . Blogosfera tem a ver com linkania. Com as relações. Com vizinhança... com comunidades. Com as pessoas... Estamos falando coisas totalmente diferentes.
Alex, acompanho esses fenomenos faz muito tempo. Tenho acertado algumas vezes. Errado outras Não tenho certezas... tenho ação. Essa tua afirmação fala apenas de ti.
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Hernani Dimantas
Bem, a tua analise da
Prezado Hernani,
desculpe a sinceridade, mas você precisa estudar um pouco mais sobre comunidades. Pensar que todas as pessoas que tem blog no blogspot formam uma comunidade é uma generalização que esvazia o próprio conceito de comunidade. Onde estão as interações interpessoais nesse argumento? Se tudo é comunidade, o que não é?
Veja, você usa o termo "equivocado" com grande facilidade. É como se você tivesse descoberto a verdade. Como se a verdade estivesse sempre de seu lado.
Em tempo: vi que você fala muito em gentileza em seu texto sobre multidão. Infelizmente, parece que você a esqueceu naquele texto. De onde será que vêm tantas certezas e tanto ressentimento?
Bem, boa sorte em seu trabalho.
Cara, vc não aguenta
Cara, vc não aguenta críticas? Teu artigo é péssimo.... estou sendo muito sincero. o resto é balela. se liga!
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Hernani Dimantas
blogs e mídia de massa
Muito me admira o Alex Primo exigir um pouco mais de estudo para que se possa falar algo sobre comunidades virtuais...Eis aí o gap com o qual a pesquisa acadêmica se depara ao tratar a web e o movimento que nela acontece: formas de ação, experimentação. Vozes, lugar onde a autoridade para se abordar determinados termas provém de um histórico de ações mais que referências bibliográficas. Quem melhor para falar da rede que os próprios atores nela inseridos? Nada mais legítimo que esse discurso linkado.
É uma pena que os estudos acadêmicos iniciais no Brasil sobre a web estejam tendo como objeto de estudo o lado corporativo ou patrocinado, principalmente quando se trata de blogs pois esse é um segundo momento...o patrocínio vem sempre depois.
É como se deixássemos de lado a multidão e o poder existente em pequenas redes sociais mediadas, capaz de transformar a condição brasileira de se existir. Exigir algum estudo para se falar disso é ter uma visão medieval da coisa. Aqui os camponeses, a plebe, estão agindo, conversando, gastando por hora na lan e seus discursos não estão sendo publicados em blogs corporativos...
blogs e mídia de massa
Olá Primo, não te conhecia, soube de você pelo twitter do meu amigo Edney. Queria aqui tecer uns comentários sobre seu artigo. Pode ser?
- Achei que há um equívoco conceitual grande. Você "coisificou" os blogs. Não acho que há grande interesse em discutir blogs, strictu sensu. Eles são sistemas, linhas de código, só isso. O que interessa são as pessoas que neles escrevem. E a discussão sobre blogosfera é meio datada, lá por 2001, como máximo. Hoje as pessoas já não se utilizam somente de blogs. Existem várias outras "linhas de código" disponíveis para nós.
- Ao insistir em usar o blog como uma micromidia (coisificando-o), você comete segundo equivoco ao citar Charaudeau. Não se trata de "Estamos aqui pra dizer o que", e sim, basicamente "estamos aqui pra dizer", ponto. A grande evolução que se dá através dos meios informáticos (chame-os virtuais, internautas, blogosféricos, "uárever") é o simples fato de agora haver VOZ. O risco que se corre ao estudar o fato é "coisificar" novamente o processo, esquecendo-se do sujeito e avaliando o sistema. Aí passamos a chamar blog de mídia, ou diário, ou relato, etc. Não importa o que o blog seja e sim que existe VOZ, onde antes não havia. Isso em redes distribuidas (leia UGARTE) gera a ampliação da polifonia e dela se faz o que se quiser, pouco importa, pois não há necessidade de estudo nos termos hierárquicos, já que é novo o paradigma. Trata-se de linkania.
- Por último, me assustei com sua última frase do artigo. É quase um banho de agua fria num chuveiro já meio morno: Dizer que "a própria blogosfera pode agir como retroalimentaçao das estruturas de poder" é como concluir que a água pode servir para afogar alguem. Sim, a blogosfera pode servir pra isso, mas serve pra um monte de outras coisas. A água pode afogar alguem, mas também nos mata a sede.
Forte abraço!
Marcelo Estraviz
ps: publico este comentário também no blog do Primo, pra ampliar as VOZES! :)
Estraviz, que bom que você
Estraviz, que bom que você volta ao debate. Você sabe que me irrito facilmente. Afinal, esse é meu estilo. Não sou tão elegante como você. Eu tenho pressa. Afinal, estou na subcomandância.... kkkkkk Vamos agregar...
Bem, a linkania trata da conexão. Ou melhor, do impacto dessa conectividade nas relações das pessoas, na produção de subjetividades, na desorganização da multidão. O meu espanto em relação ao artigo do Primo é que ele trata o blog como o produto da blogosfera. No entanto, o objeto de análise são as pessoas. Talvez, esse seja um equivoco recorrente nos meios de comunicação. A revolução não televisionada vem romper esses conceitos da mesma forma que o mp3 rompeu o poder da indústria fonográfica. De fato, a Internet está concorrendo com a mídia de massa. Lemos menos jornal, assistimos menos televisão. Ou não! Cadaumécadaum. Só sei que independente de querermos ou não as TIC's estão mudando a sociedade. O impacto é real.
Linkania também trata de mudanças. Estamos num movimento. O contexto é das metags, do youtube, do twitter, dos blogs... todas as linhas de código. A expressão não está na ferramenta. Estamos num movimento... construindo redes. A nossa cultura cada vez mais está em rede. Estamos aprendendo e reaprendendo a cada click do mouse. Ou, como disse o Felipe no trampo do Primo: 30% das notícias recebo por twitter ou listas de discussão. Heheheh, não tenho essa precisão. Mas posso dizer que grande parte dos inputs diários de informação me chegam pela linkania.
Well, linkania também é comunicação. Uma linha de pesquisa totalmete diferente daquilo que o Primo coloca no artigo dele. Eu penso na linkania como a sociedade tende a se auto-organizar num ambiente que é infinitamente espaçoso. Tem lugar pra todo mundo se relacionar. Os nossos filhos estão em rede desde pequenos. estão no Orkut, alguns tem blog... outros acessam suas produções. Como será que eles vão lidar com esse movimento?.Essas elucubrações vejo no pensamento de Deleuze, de Foucault, dos hackers, Cluetrain, Negri... essas são algumas das minhas referências para explicar a linkania. Creio que estamos aplicando esses conceitos em muitos dos nossos projetos. Não foi a toa que o MetaReciclagem se tornou uma política pública. MetaReciclagem está em movimento. Como uma TAZ deve morrer... como grupo. Mas se tornou uma idéia. Isso se deu pela linkania...
Fica um recado para o Primo. Seja bem-vindo ao debate. Estamos discutindo idéias. Projetos, linhas de pesquisa. Devemos ter muita coisa para trocar. A Universidade está precisando ser hackeada. É uma estrutura dura que se move na velocidade de lesma. Mas como toda máquina ela se burocratiza para sobreviver. Eu entendo que tua pesquisa é fruto de um trabalho. Mas, ao coisificar você coloca de volta ao container... que a internet insiste em romper. It is not my fault!!!!
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Hernani Dimantas
blogs e mídia de massa
Prezado Marcelo, muito obrigado por seu comentário. Publiquei o artigo aqui no blog justamente para motivar um debate público sobre as interações mediadas por computador e como elas rearticulam a estrutura midiática contemporânea. Nesse sentido, suas opiniões são importantes para esse debate. Mas, permita-me divergir dos pontos que você levanta:
- Veja, venho pesquisando e escrevendo sobre interações mediadas por computador desde 1997 (quando publiquei um primeiro artigo sobre comunidades virtuais). Como você poderá perceber em meu livro e em todos meus artigos (podes conhecê-los na seção “Publicações” de meu blog). Nos últimos 2 anos, tenho justamente criticado algumas abordagens da ciência das redes que de fato coisificam as interações no ciberespaço por apenas mapear nós e quantificar links. Além dos estudos sobre conversações em blogs que conduzi (buscando sempre um tratamento empírico para evitar a pura abstração coisificante), trabalhei um método para o estudo dos relacionamentos em redes sociais. Ao consultares meus artigos de 2007, verás como defendo o estudo de características como intimidade, compromisso, confiança, etc. Logo, a crítica de que trato de blogs de forma “coisificada” não é precisa. Tenho certeza que depois de ler meus artigos anteriores poderemos continuar este debate.
- Não concordo que blogs sejam coisa do passado. Nem tampouco desconsidero outras formas de interação. Este artigo que aqui publiquei é sobre blogs. Mas poderia ser sobre Twitter, Second Life, etc. Qual o problema de estudar blogs? Precisamos ter cuidado em achar que os fenômenos da comunicação sejam assim tão fugidios e que logo se esgotam. Creio, sim, que as interações na blogosfera são um dos fenômenos mais interessantes da cibercultura. Por outro lado, ainda existe muito para se estudar sobre eles. E, diante de suas questões, vejo que de fato ainda persistem muitos estereótipos sobre o que são blogs. Não se pode, porém, adotar uma postura normativa: blogs DEVERIAM ser assim ou assado.
- Quando falo em blogs, certamente não estou falando apenas sobre o software. Justamente por isso proponho a divisão entre blog/programa, blog/texto e blog/lugar. Mas, o que me interessa de fato, são as interações em blogs entre blogueiros e comentaristas (como podes comprovar em meus artigos anteriores). Sou um crítico das análises meramente tecnicistas da cibercultura. O que me interessam de fato são os processos sociais, as conversações, a cooperação e o conflito no ciberespaço.
- Não sei se você é da comunicação, mas estudamos muito as características da TV, do rádio, de jornais, revistas, etc. E buscamos investigar a articulação dessa estrutura midiática e como as relações de poder aí se estabelecem. Diante da grande quantidade de blogs (não apenas os pessoais como também os profissionais, corporativos, etc.) e da variedade de interações na blogosfera, precisamos ver como isso se articula com outros meios de comunicação. E com a entrada de grandes corporações midiáticas na blogosfera, precisamos avaliar que impacto isso tem nas estruturas de poder nos processos sociais.
- Como sou muito entusiasmado com os processos de cooperação no ciberespaço (Wikis, webjornalismo participativo, educação a distância, etc.) e com o impacto disso na educação e na construção do conhecimento, não poderia deixar de estudar a blogosfera nesse contexto. Contudo, não poderia permanecer em uma postura panfletária, idealista. Caso contrário, trabalharia apenas com uma visão essencialista da blogosfera. Isso em nada nos ajudaria. E é justamente nesse sentido que busquei observar empiricamente a profissionalização de muitos blogueiros e o uso de blogs por corporações na comunicação interna e por grandes instituições midiáticas.
- Tanto você quanto o Hernani ficaram chocados com a frase final do artigo! Mas devem ter visto também a penúltima frase do trabalho, que fala da importância política dos blogs em debater as informações da grande mídia. Também devem ter lido no desenvolvimento do trabalho a ênfase dada na investigação empírica sobre a importância dada pelos entrevistados à interação com os comentaristas e ao debate de notícias dos meios tradicionais. Contudo, infelizmente não apenas pessoas comprometidas com o social têm blogs, Marcelo. Você sabe quantos blogs defendem interesses de setores retrógrados. E sabe do número de blogs de instituições midiáticas tradicionais: os participantes do BBB mantém blogs, as celebridades da Glogo estão no BlogLog. Logo, blogs são apenas críticos, independentes, libertários? Ora, seria uma visão essencialista pensar que blogs (os blogueiros e seus comentaristas) são apenas mídia radical (Downing).
- Quanto à citação do Charaudeau, por favor consulte a página 69 do livro “Discurso das Mídias” do referido autor.
Abraços e volte sempre!
blogs e mídia de massa
Olá Primo! Não lerei a página 69 do livro do autor… (isso parece programa religioso da madrugada, pedindo pra ler tal versículo! risos…) Seria mais simples você falar o que quer ou o que consta nessa tal página do que essa aparente erudição desenxabida, né?
Ainda acho que não entendeste… Releia seu comentário acima. Você se perde entre chamar blogs de coisas ou de pessoas. Há uma confusão clara aí. E é natural, não se preocupe. Somos treinados a coisificar as pessoas, os processos… da mesma forma, somos treinados a humanizar as coisas. Veja como desde pequenos vemos desenhos onde trens falam, ou até todos os animais andam em 2 patas. Daí pra considerar uma empresa um ser, é um passo. Esse processo causticante nos transforma em acriticos, esquecemos que uma vaca é uma vaca, um trem é uma coisa (no caso dos mineiros é várias) e uma empresa é só um aglomerado de pessoas.
Aliás, tudo é só um aglomerado de pessoas. Você fala da TV, do rádio, dos jornais, das revistas… Eu sei e você sabe que estamos falando do que se disse ou se escreveu, mas o discurso comum é o de personalizarmos o objeto jornal e o segundo passo é o de cosificar o agente que o escreveu, transformando-o em jornal (o que antes era um humano).
Parece simples, básico, banal, tolo né? Mas é um detalhe tão importante meu amigo… faz toda a diferença! Repare aqui no que disseste: “…infelizmente não apenas pessoas comprometidas com o social têm blogs, Marcelo. Você sabe quantos blogs defendem interesses de setores retrógrados…”
Primeiro você diz pessoas com blogs, e na segunda acepção, já cai na armadilha e ao invés de falar de pessoas, diz que blogs defendem interesses. Blogs são linhas de código! Just it! Pessoas podem defenfer interesses, claro. Como podem ser contraditórios, esquisitos, chatos, interessantes, idealistas, poéticos. São pessoas, man! Deliciosamente humanos!
Internet são pessoas! E pessoas são uma multidão de pensamentos. Bons e maus, burros e inteligentes, herméticos e linkados. Cada um de nós já é uma multidão, imagine então uma multidão o infinito que é.
E releia minhas coisas, please. Eu não disse que blogs são coisas do passado. Eu disse que a discussão sobre isso o é. Eu hoje leio feeds. Nem sei quem tem blog com anúncio ou sem. Essa discussão não me interessa! Entendo que você, que estuda pelo visto a comunicação, tenha interesse nesse viés. Mas minha humilde sugestão é que não caias na tentação de esquecer que por trás dessas letras todas existem pessoas. Era só esse o toque. Essas pessoas são fascinantes por suas imperfeições e contraditoriedades. Transformá-las em um blog, ou um rádio ou uma tese, é coisificá-las.
Todo e qualquer teórico clássico da comunicação não tem elementos para este novo paradigma. Não falo aqui como idealista ou essencialista. É um fato, as redes distribuídas não existiam em outra época da humanidade, Não quero com isso ser fatalista, messiânico, pós-moderno, nada. É um fato. As redes distribuidas são a maior novidade desse processo todo. Alteram tudo.
Hoje mesmo estava falando com um amigo meu que trabalha no mercado financeiro. Poie ele me disse isso: Tudo que aprrendeu na faculdade jogou no lixo. Porque hoje um produtor de soja sabe o preço da soja em Chicago. Faz 10 anos nao sabia e era dessa informação que intermediários ganhavam dinheiro. Hoje é mais complexo ganhar dinheiro, porque a informação está disponibilizada de forma distribuída, o que é mais do que descentralizada.
Imagino que conheças este desenho:
http://www.deugarte.com/gomi/topologiasdered.jpg
Nele está toda a mudança de paradigma. E é nossa função, minha sua, do hernani, do papa e de qualquer um, ampliarmos a distribuição da rede distribuida. As tais estruturas de poder que comentas não me interessam, elas estão ruindo e isso não é essencialismo nem idealismo. É um fato. Eu me interesso por esse fato, acompanho esse processo. Retruco quando tentam me dizer que existem coisas. Eu respondo que o que existem são pessoas. Aqui sou eu e você, intermediados por linhas de código. E existem os que nos leem. E é isso. Não há nenhuma estrutura de poder, Só se você decidir bloquear esta mensagem, aí estará gerando um nó, represando a informação. Eu, assim como outros, estaremos sempre(entenda: sempre!) contribuindo para desobstruir represas. Ah! e sempre com bom humor, claro. Porque já dizia o poeta da sua terra: “eles passarão, eu passarinho!”. Você já faz parte do caldo sináptico da linkania. O toque que te dou é que o hermetismo acadêmico ruirá se se pautar pelo clássico. Há coisas novas (novíssimas) pra ler. Leia-as. Principalmente a página 69 de cada uma delas.
:P
abraços!
marcelo
blogs e mídia de massa
Estraviz, na página 69 do MH temos: <"É um objetivo explícito que, para muitos, começou nos anos 70. Nós pretendemos a revolução". Belo trabalho>.... kkkkkkkkk
Tudo beleza... só não entendi essa estória do Ugarte... vou procurar a página 69 para esclarecimentos.
abraços
hdhd
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Hernani Dimantas
blogs e mídia de massa
em resposta ao primo, no blog dele (ainda em moderação):
Parceiro (é disso que precisamos, certo?): Dizes que a conversa está circular, eu diria que desigual. Estás a querer mostrar que sabes mais, que eres mais. Insistes nessa posição hierarquicamente insensata ao afirmar 4 (quatro!) vezes que não li seu artigo. Li, primo, li.
Não li seus outros artigos, é fato. Assim como as páginas 69 de livros citados. Mas afirmar que por isso não o conheço é querer reafirmar a cantilena acadêmica do “você sabe com quem está falando?”. Oras, estou falando com você! Você também não leu coisas minhas, mas não te peço que as leias para só assim estabelecermos uma dialógica. Falemos, pois, é grátis! Crescemos ambos!
Por não me conformar com um processo professoral, venho teimosamente seguir o debate (porque é grátis! e assim ganhamos todos!), isso não é “sair atirando”, é a gratuidade de crescer conversando. Não se machuque, não se sinta acuado. Não perderás pontos. “…É a conversa descompromissada da rede, não hierarquica, não linear…” (ESTRAVIZ). Debato com você como o faço com o Hernani, com o Edney, com qualquer um. Crescemos todos.
Ontem no canal brasil encontrei frase ótima: “eles enquadram, nós arredondamos”. Não é boa?
No seu artigo, (que li, cáspita! risos…) discutes a profissionalização dos blogueiros. Mas repito, isso é datado. Não vi seus questionários (não os forneceste no artigo), mas duvide-o-dó que eles se considerem profissionais blogueiros. Então essa derivação que fizeste, fazendo um artigo sobre a profissionalização, entrevistando não-profissionais (em sua maioria) é o que? Uma defesa de tese, indefensável. Defendes a lei da gravidade perguntando pras maças se elas caem. Pra quê?
Minha insistência em que internet são pessoas é para que evitemos essas rotulagens. Academia faz isso sempre, o deus mercado idem. Mas estamos aqui pra evitar, ao menos reduzir danos, na pior dashipóteses, nos divertir. Nós arredondamos!
abraços dialógicos em danças circulares,
tipuri
blogs e mídia de massa
e mais resposta, continuando o debate de lá:
ops! também esqueci de mencionar a questão das redes (obrigado pelo link). Mas perceba, a scale-fre work é basicamente a rede descentralizada. Não há diferença. Ainda nos orgulhamos de falar sobre descentralismos como se isso fosse genial. Não é mais. É antiquado.
Claro que sei que convivemos simultaneamente com as 3 redes (centralizada, descentralizada e distribuida), mas a questão é que valorizar os hubs como um grande barato modernoso é… desculpe a insistência: antiquado!
Claro que sei que meu amigo Edney éum grande hub! Mas nem ele considera isso algo muito grande coisa! Ele sabe que o que importa é a distribuição de reputações. Valorizar os hubs é criar uma nova oligarquia web. E Edney (que bom!) não quer isso! E assim que o quiser (e ele sabe) perde o poder de ser hub. Não é interessante isso? A reputação de hub está intimamente ligada a seu despretencioso interesse em não ser hub. São os chamados laços fracos, que deves conhecer.
Então é isso o resumo desta parte de nossa dialógica dança circular sagrada: Não valorizemos futuras oligarquias de hubs,pois isso prejudicará fundamentalmente esse hubs.
Apóio-te a que escrevas novos artigos refletindo sobre as redes distribuídas e seus contextos não hierárquicos. Isso sim seria contribuição singular.
abraço!
estraviz
blogs e mídia de massa
Pois é... o debate está circular porque o rapaz Primo não quer descer do pedestal. Ele está se achando... heheheheh Eu também li o artigo. De cabo a rabo. E, achei uma porcaria. Sou um pouco mais radical que vc, Estraviz. O que me pinta é desconhecimento da rede. Bem, pelo menos nos comentários o Primo cita uns autores melhores... Negri, Barabási... Creio que estamos ajudando-o a pensar... tá valendo!
abs
hdhd
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Hernani Dimantas
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